Violência política contra mulheres cresce e soma 1,5 mil denúncias em 2026

Ameaças de morte, violência sexual e exposição de dados pessoais estão entre as agressões.

A violência política contra mulheres registrou números expressivos no Brasil durante as eleições de 2026. Entre janeiro e agosto, o Disque 180 recebeu 1.564 denúncias desse tipo de violência, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher.

Durante a campanha eleitoral, 134 casos de violência política foram identificados por organizações de direitos humanos até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Desse total, 70 tiveram mulheres como vítimas, o equivalente a 52,2% das ocorrências.

Foto: Narcílio Costa/ Correio Piauiense
Violência doméstica

Os dados chamam a atenção porque, embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram vítimas de mais da metade dos episódios de violência direcionados a candidatos.

Processos por violência política de gênero aumentam 11 vezes

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de processos relacionados à violência política de gênero passou de 15, em 2022, para 177, em 2026. O volume é quase 11 vezes maior que o registrado quatro anos antes.

As agressões incluem ataques físicos e verbais, ameaças de morte e violência sexual. Também há casos de exposição de informações pessoais, como endereço residencial, telefone e documentos, com o objetivo de intimidar as vítimas.

No fim de setembro, organizações da sociedade civil encaminharam ao TSE denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições deste ano.

Mulheres negras são as principais vítimas das denúncias

Os registros do Disque 180 também mostram diferenças entre os grupos atingidos. Das 1.564 denúncias recebidas entre janeiro e agosto, 842 envolveram mulheres pretas e pardas, o equivalente a mais de 53% do total.

As mulheres brancas aparecem em seguida, com 590 registros, correspondentes a 37,72%. Outras 132 denúncias, ou 8,44%, envolveram mulheres de outros grupos raciais.

Os números evidenciam que a violência política de gênero também apresenta um recorte racial, atingindo de forma expressiva as mulheres negras.

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